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Vestígios de Corpo

A Moda que Habita o Tempo
Em contraste com a lógica da moda contemporânea, marcada pelo consumo veloz, aquilo que poderia constituir linguagem criativa e identidade cultural muitas vezes se reduz ao esquecimento.

Vestígios de Corpo é uma escultura em que o cimento deixa de ser apenas matéria bruta para se converter em pele, memória e ausência. O que antes era roupa, torna-se fóssil.

Longe de fixar o corpo no passado, a obra sugere sua permanência em transformação, como algo que resiste ao desaparecimento ao se reconfigurar.

A obra estabelece um diálogo entre passado e futuro ao partir das estruturas da Era Vitoriana quando o corpo feminino era moldado e ocultado, para expandi-las em volumes que tensionam essa lógica de contenção. Aqui, a disciplina não reduz: ela se projeta em excesso, deslocando se entre arquitetura e organismo.

As formas em cimento evocam as antigas gaiolas vitorianas, mas deixam de operar apenas como dispositivos de restrição para se aproximarem de um crescimento orgânico, que adere e transforma o corpo.

Quando vestida, a obra se ativa, performa. Já em sua ausência, se torna um relicário silencioso que carrega a memória de um corpo que já não está, mas que ainda insiste em permanecer.

Um manifesto de resistência ao efêmero: A arte que sustenta não se curva à pressa. Ela preserva gestos, cicatrizes e vestígios.

Material
Cimento, Areia e Água
Fios de Ferro, Bolas de Argila e Tecido.

Fotografia: Bruno Barreto
Modelo: Marcella Dellar
Beaty: Hicaro Thales

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